quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Diderot: o livre pensador

Denis Diderot o frequentador dos salões literários de Louise Henriche Volland, amigo de Jean-Jacques Rousseau, cofundador e editor chefe da redação da Enciclopédia, assume-se como um fiel investigador da verdade e defensor do poder emancipador da filosofia. Para Andrew S. Curran, o escritor da sua biografia, Diderot é um mestre com o qual podemos aprender a arte de pensar livremente, o que nos pode libertar de tabus, dogmas e convenções que limitam o exercício livre da razão. A sua biografia, Diderot e a Arte de pensar livremente, revela o “aspirante eclesiástico, o livre-pensador, o ateísta, o prisioneiro do Estado e finalmente o enciclopedista e o filósofo.”


Um questionador das suas próprias crenças e dos dogmas nos quais assentava o catolicismo, Diderot passou a ser caracterizado pelo seu pensamento irreligioso. Em 1776 publica a obra Pensamentos Filosóficos constituída por 62 ensaios nos quais aborda a conceção de Deus, o deísmo, o ceticismo e o ateísmo. Combater a visão sombria de que a condição humana trazia a marca do pecado original e as ideias de um deus vingativo e caprichoso, fez com que Diderot tivesse de aprender a lidar com o ateísmo e com a conceção de um mundo sem Deus, mas o que ficou depois de Deus desaparecer? “Seres humanos desprovidos de alma que pareciam pouco mais do que máquinas a viverem num numo determinista, em que todos os acontecimentos estavam preordenados, não por uma divindade omnisciente, mas por um conjunto de regras mecanicistas.” (Curran, 2019, p. 77).

Uma leitura inquietante sobre um homem muito à frente do seu tempo, um livre pensador que nos conduz ao confronto e ao questionamento das nossas próprias inseguranças e hesitações na busca pela verdade.  

Diderot um filósofo com o qual é possível dialogar e encontrar alguns pontos de convergência: o gosto pela leitura, pela literatura, pela filosofia e pela procura de um conhecimento verdadeiro.

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